Um cliente pode desistir de uma marcação online em 14 dias (livre resolução)?
Não é um direito automático de qualquer marcação online. Veja quando o regime pode aplicar-se e quando não.
Legislação e obrigações
Resposta curta
- Depende do tipo de serviço e de o contrato ser mesmo celebrado à distância: não há um direito automático de 14 dias para todas as marcações online.
- Nos contratos à distância de prestação de serviços, o consumidor pode resolver o contrato sem indicar motivo no prazo de 14 dias a contar da celebração (Decreto-Lei n.º 24/2014, art. 10.º, n.º 1, al. a)).
- Ficam fora os contratos relativos a serviços de cuidados de saúde (art. 2.º, n.º 3, al. f)) e, salvo acordo em contrário, serviços de lazer com data ou período específicos (art. 17.º, n.º 1, al. k)).
- O regime protege consumidores, isto é, pessoas singulares que atuam fora da sua atividade profissional (art. 3.º, al. e)).
- A 4appointments não cobra online nem impõe o prazo de 14 dias: o cliente cancela pela ligação da marcação, sem prazo mínimo configurável.
Ouve-se muito que «online tem 14 dias para desistir». É verdade para muitas compras à distância, mas uma marcação para um serviço presencial é um caso mais delicado. Esta página separa os três casos principais e diz onde a lei deixa a questão em aberto.
O que é a livre resolução
É o direito de o consumidor resolver o contrato, sem indicar motivo e sem custos, no prazo de 14 dias (art. 10.º, n.º 1). Nos contratos de prestação de serviços, o prazo conta-se do dia da celebração do contrato (n.º 1, al. a)).
Não confunda com a sua política de cancelamento, que é uma regra comercial sobre marcações.
Três casos
- Serviços de saúde: o Decreto-Lei n.º 24/2014 não se aplica (arts. 4.º a 21.º) aos contratos relativos a serviços de cuidados de saúde, públicos ou privados (art. 2.º, n.º 3, al. f)). Isso não impede regras próprias do setor.
- Serviços de lazer com data marcada: o consumidor não pode resolver livremente contratos de serviços relacionados com atividades de lazer se o contrato previr uma data ou período de execução específicos, salvo acordo em contrário (art. 17.º, n.º 1, al. k)). Se um serviço de bem-estar cabe aqui é uma questão de enquadramento.
- Outros serviços (beleza, oficina, explicações, consultoria): o regime pode aplicar-se, se o contrato for mesmo celebrado à distância e o cliente for consumidor.
Uma marcação é um contrato à distância?
O art. 3.º, al. h), define contrato celebrado à distância como o celebrado sem presença física simultânea das partes, integrado num sistema organizado de prestação de serviços à distância, com uso exclusivo de técnicas de comunicação à distância até à celebração, incluindo a própria celebração.
Uma marcação pode ser lida como a celebração do contrato, ou apenas como a reserva de um horário, ficando o contrato fechado no local, com o pagamento e o serviço presenciais. Nas fontes consultadas não encontrámos orientação específica sobre marcações. Trate a resposta como incerta e peça aconselhamento jurídico.
Se o regime se aplicar: o que fazer
- Informar antes: se existir direito de livre resolução, o prestador deve informar o consumidor do direito, do prazo e do procedimento antes de este se vincular (art. 4.º, n.º 1, al. m)).
- Sem essa informação, o prazo alarga-se: passa a ser de 12 meses a contar do termo do prazo inicial (art. 10.º, n.º 2).
- Início do serviço dentro dos 14 dias: o prestador deve exigir um pedido expresso do consumidor e o reconhecimento de que perde o direito se o contrato for plenamente executado (art. 15.º, n.º 1).
- Resolução depois de o serviço começar: o consumidor paga um montante proporcional ao que foi prestado (art. 15.º, n.º 2).
Exemplo ilustrativo
Exemplo ilustrativo: um cliente marca online uma limpeza de pele para daqui a três semanas. Cancelar um dia antes é matéria da sua política de cancelamento; desistir sem custos ao fim de dois dias, ao abrigo da livre resolução, depende de o regime se aplicar à marcação.
O que a 4appointments faz — e o que não faz
- Faz: o cliente pode cancelar ou remarcar através da ligação da marcação; o prazo mínimo não é configurável. A ligação aparece no ecrã de confirmação do cliente e não lhe é enviada por e-mail.
- Faz: a marcação nova entra pendente e ocupa o horário até a confirmar manualmente.
- Não faz: cobrança online, reembolso automático ou formulário de livre resolução.
- Não faz: registar o pedido expresso de início do serviço nem o reconhecimento da perda do direito.
- O texto informativo e o contrato são consigo. Informação geral, não substitui aconselhamento jurídico.
Perguntas frequentes
A livre resolução aplica-se a consultas médicas marcadas online?+
O Decreto-Lei n.º 24/2014 exclui os contratos relativos a serviços de cuidados de saúde, públicos ou privados (art. 2.º, n.º 3, al. f)). Podem existir regras próprias do setor, que não analisamos aqui.
Posso cobrar algo se o cliente desistir dentro dos 14 dias?+
Só um montante proporcional ao serviço já prestado, e apenas se o consumidor tiver feito o pedido expresso de início do serviço dentro do prazo (art. 15.º, n.os 1, 2 e 5).
E se o cliente for uma empresa?+
Consumidor é a pessoa singular que atue com fins que não se integrem na sua atividade comercial, industrial, artesanal ou profissional (art. 3.º, al. e)). Uma empresa não é consumidor para este regime.
Cancelar pela ligação da marcação é o mesmo que livre resolução?+
Não. Cancelar ou remarcar pela ligação é uma funcionalidade operacional da agenda, sem prazo mínimo configurável. A livre resolução é um direito legal do consumidor, com regras e exceções próprias.
Fontes consultadas
- Decreto-Lei n.º 24/2014, de 14 de fevereiro — arts. 2.º, 3.º, 4.º, 10.º, 15.º e 17.º (pgdlisboa.pt) (consultado em 21/10/2026)
Ver também
Cancelar e remarcar pela ligação da marcação
O cliente trata do cancelamento e da remarcação pela ligação da marcação.
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